Arquivo de julho \28\UTC 2010

28
jul
10

FÁBULAS E O DINHEIRO EMOCIONAL

Algumas pessoas quando não conseguem o que querem, desejam ou necessitam, culpam logo terceiros ou circunstâncias por suas frustrações. São pessoas que se sentem incapazes de realizar algo.

E para a preservação de sua auto-estima, disfarçam muitas vezes de forma inconsciente os verdadeiros motivos de sua inabilidade em buscar recursos e capacidades pessoais para resolver problemas imediatos. Essa pessoa tende a ajustar suas necessidades narcisistas utilizando-se do raciocínio lógico para justificar ou explicar suas falhas e limitações. Tudo passa a ser justificado, nada resolvido.

Passamos então à Fábula que ilustra o nosso propósito:

 “Uma raposa solitária há muito sem comer e magra de fome, depois de muito perambular chegou a uma grande plantação de uvas. As parreiras estavam cobertas de frutos, com muitos cachos cheios e maduros, prontos para o consumo.

Como não havia ninguém à vista, a raposa entrou sorrateiramente no parreiral, mas logo descobriu que as uvas estavam muito altas, os galhos se enroscavam num alto caramanchão, fora do seu alcance.

Ela pulou, errou, tornou a pular; mas todos os seus esforços foram inúteis. Cansada, a raposa começou a sentir dores pelo corpo, e finalmente, frustrada e zangada depois de um último pulo, exclamou desdenhosa:

 - Ora, eu não quero mesmo. Estas uvas estão verdes!”

“A RAPOSA E AS UVAS” é mais uma fábula atribuída a Esopo e que foi reescrita por La Fontaine. Há muitas variações na narrativa, mas sua essência é sempre a mesma, e é o que nos interessa:

. É fácil desprezar aquilo que não se pode obter;

. Aquele que se sente incapaz de atingir uma meta tende a depreciá-la para diminuir o peso de seu insucesso.

Pois bem, a raposa tinha um problema que era o de alcançar as uvas e usou apenas o recurso de pular, sequer procurou uma escada, um banquinho ou uma caixa para subir, ou mesmo uma vara para alcançar o seu objetivo, preferiu negar o seu desejo. Foi embora frustrada e continuou esfomeada.

Assim acontece com muitas pessoas, que não se ajustam ao novo, não buscam possibilidades, não criam ou não reconhecem os recursos internos e externos para a solução dos problemas da sua vida. Preferem negar os seus desejos, as suas necessidades, os seus sonhos. Assim como a raposa, caminham pela vida frustradas e esfomeadas.

28
jul
10

SOMBRAS

Noite dessas tive um sonho bastante intrigante, rico em movimento e ação. Passei dias pensando, rememorando e remoendo o seu conteúdo.

 Levei-o então para o consultório e junto com minhas amigas psicólogas passamos à sua análise dentro da teoria de Jung.

Confesso que saí de lá mais leve, mais solta. Com melhor clareza e entendimento das minhas sombras.

Sombras: “A coisa que uma pessoa não tem desejo de ser” é tudo aquilo que a pessoa tenta “jogar para baixo do tapete”.

Mais precisamente, são as representações das idéias, dos desejos e/ou memórias reprimidas e rejeitadas. Aquilo que consideramos inferior ou que negligenciamos em nós e apontamos ou projetamos no outro.

A sombra aparece por temor da não aceitação, do não reconhecimento, do sentimento de menos valia…

Ela é incompatível com a persona, por isso chamada de sombra.

Já a persona é o Eu Social em resposta às tradições e convenções, e é explicada por Jung como uma máscara que encarna uma personagem. Grosso modo, são os vários papéis que desempenhamos no dia a dia.

A sombra não de todo negativa, ela é uma força instintiva onde está depositada a criatividade, a espontaneidade e a própria vitalidade do ser.

A sombra é inerente ao ser humano, não podendo ser totalmente eliminada. Uma pessoa sem sombra é uma pessoa não completa, não é.  E quando sua compreensão é alcançada, ela surge de outra forma.  Lidar com a sombra é um processo que dura a vida toda.

É o voltar-se para dentro. É a reflexão de si mesmo que possibilita o exercício honesto do reconhecimento de quem se é, do que se quer e de onde se quer chegar.

26
jul
10

CONTOS DE FADAS EXISTEM?

Ela me procurou no consultório por considerar-se “esgotada e sem forças para a batalha diária”, e com isto não enxergava os melhores caminhos a serem seguidos. “Sua vida vinha sendo uma sucessão de erros”.

Entre lágrimas, dizia que Contos de Fadas não existiam, que sua vida estava numa realidade entediante e sem graça.

“Ah, como eu gostaria de viver um grande Conto de Fadas, mas eles não existem” Dizia.

Combinamos algumas regras e colocamos o processo terapêutico em ação.

“Contos de Fadas não existem.” Insistia em dizer.

Eu começo a ficar intrigada. Como assim, não existem?

Contos de Fadas em sua íntegra não existem mesmo, com carruagens, príncipes encantados, fadas madrinhas, animais que falam… Mas ela não enxergava que os personagens e a essência das histórias rondam nossas vidas.

Ela gostaria de ser talvez uma linda e frágil princesa, mas só gostaria, porque na realidade vinha comportando-se como uma mulher mandona e amarga, cheia de cobranças. Papel que não condiz com uma bela e apaixonada princesa…

Os Contos de Fadas estão aí a encantar, desencantar e principalmente contar-nos narrativas que podem estar bem próximas de nossas realidades. E é com este propósito que venho estudando-os e buscando traduzir-lhes suas metáforas.

25
jul
10

TAPA DE AMOR TAMBÉM DÓI

Dica também interessante recebida pelo amigo LUIS FERNANDO DESTEFAMO ALMADA sobre matéria publicada no ‘O ESTADODE SÃO PAULO” de hoje 25/07/2010 no caderno ALIÁS.

Escrita por Paulo Sergio Pinheiro, a matéria discorre sobre a Lei que proibe bater em crianças.

“Assim como o adulto, as crianças têm o direito de ser respeitadas em sua dignidade e integridade física e esse respeito precisa estar traduzido em lei. Não há desculpas para a “palmada” ou o “tapinha”.

25
jul
10

CURSO PRÁTICO DE MASSAGEM

Esta é uma dica e tanto e veio através da amiga MARIA ANTONIA FRANÇA DEVEGILI.

O Curso é ministrado pela massagista ROSE, uma pessoa que por si só já vale a pena. Tenho recebido as suas massagens, reconheço e respeito o valor terapêutico e relaxante do trabalho. Vale muito a pena conferir.

Acontecerá a princípio todas as quintas feiras na Rua DR. SILVINO CANUTO DE ABREU, 126 – Campo Belo 

 

20
jul
10

REVOLUÇÃO

                    
A França aprovou recentemente uma Lei que proíbe o uso da Burka e do Niqab pelas mulheres em lugares públicos naquele país.

O Governo Francês entende que esta é uma forma bastante fácil de alguém se disfarçar já que tais indumentárias possibilitam a uma mente mais ousada ou maliciosa para não dizer maldosa, utilizarem-na inadequadamente.

Junta-se a isso, há toda uma preocupação que caminha de acordo com os preceitos democráticos desde a Revolução Francesa que gritava o lema: “Liberdade, Igualdade e Fraternidade.”

Este é um assunto que gera muita polêmica à medida que tal proibição fere costumes, crenças e cultura da população islâmica, mais precisamente a afegã e a paquistanesa. Seus adeptos acreditam que o uso de tais vestimentas representa a modéstia e o pudor feminino enquanto a mulher estiver em público, e que no seio familiar ela tem a oportunidade de ser e se apresentar como é.

O Governo Francês vem sendo criticado por radicais que entendem que não se pode mexer naquilo que é constituído por um povo, no caso o islâmico. Em contrapartida tem sido elogiado por outros que entendem que a liberdade de escolha há de prevalecer sempre.

Parece que o uso e o não uso da Burka e do Niqab não só na França como em todos os lugares, tem sido ao longo do tempo resolvido mais precisamente pelo homem ou por quem não vive a sua realidade efetiva.

Há os contra e há os a favor. Não importa. O ideal seria levantar a discussão, perguntar para a mulher que usa a indumentária islâmica o que realmente é melhor para ela. O que ela deseja.

Que venha então uma nova Revolução, e  que esta acolha a mulher por inteiro. Que toda mulher possa exercer a sua Liberdade,  Igualdade e  Fraternidade não na transparência ou não de suas roupas,  muito mais nas suas escolhas.

“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas que já têm a forma do nosso corpo e esquecer os nossos caminhos que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo de travessia; e se não ousarmos fazê-la, teremos ficado para sempre à margem de nós mesmos.” – Fernando Pessoa

17
jul
10

VITORIA

 

Alcançar uma meta é um sentimento inexplicável que vivencio hoje e compartilho com os visitantes do FIO DE ARIADNE.

A princípio pode parecer bobagem, mas não é. Significa que a lição foi realizada a contento, é a representação da vitória.

Quando não se sabe para onde vai ou aonde se quer chegar qualquer estrada serve. Mas a partir do momento que uma meta é estabelecida, tudo muda de figura.

E a coisa mais importante sobre uma meta é ter uma, pois é através dela que se foca a atenção, exigindo planejamento e muito trabalho. Uma meta a ser alcançada é experiência concentrada de vencedor, enquanto o perdedor ocupa-se em apenas fazer coisas.  

Eu decidi /escolhi uma meta: 3650 cliques até 31 de Julho de 2010.

Para muitos pode parecer pouco. Para mim foi um marco, eu não tinha experiência com blog, com textos, com internet. Não sabia o que encontraria pela frente, apenas me concentrei no trabalho, me empenhei e apresentei minha forma de pensar e de me relacionar com as pessoas.

Foi um ano de estudos, de conversas e pesquisas. E sem a atenção, a ajuda, o apoio e amizade de cada um dos leitores nada disso teria ocorrido.

Alcancei a minha Meta não o meu destino, tenho muito ainda a percorrer.

Certamente estabelecerei mais metas que me darão a direção a ser seguida e a certeza de que posso me comprometer e mobilizar recursos e forças para realizar o futuro.

16
jul
10

APREÇO

Mais do que de costume, tenho pensado muito no meu pai. É um misto de saudade e tentativa de me lembrar das lições que ele nos deixava a cada fala, a cada gesto, a cada escolha… Sem ser soberbo, ele era muito orgulhoso de si mesmo, de sua origem, de sua família.

Meu pai era uma pessoa ímpar em vários aspectos. Costumava dizer que a casa mais linda do mundo era a sua, simplesmente porque era sua. “O melhor carro que existe é o meu, porque ele é meu”. Dizia sorrindo e estufando o peito, e olha que o último carro era um simples fusca branco, de placa 7808. Na época eu não entendia direito o que ele queria realmente dizer com isto.

Tinha o que chamamos de apreço às suas coisas. Apreço é o mesmo que valorizar, que apreciar, que cuidar.

Esta semana me ocorreu algo que me fez lembrar tudo isto. Estava em meu quarto lendo, quando ouvi uma barulheira danada de coisas caindo, era a secretária limpando a sala. Chamei-a e corri para ver o que havia ocorrido.

Entre tremores, desculpas, um choro contido, mostrava-se desapontada consigo mesma e, desajeitada não sabia o que dizer.

Então eu disse por ela: “Você fez intencionalmente? Não, eu sei que não. Acidentes acontecem”.

A minha tentativa de aliviar piorou as coisas, ela ficou mais sem graça, afinal era um pote de cristal que havia sido espatifado no chão, e por descuido dela, e se eu quisesse descontar, ela entenderia.

Foi então que caiu a minha ficha:

Sim, um pote de cristal tem um valor financeiro, ou até estimativo, esse eu ganhei nem sem bem ao certo de quem, de alguém que certamente já morreu… Então o valor é maior?

O pote de cristal que tem valor financeiro me serve para que, além de alojar algumas pedras e só? Não quero com isso dizer que não ligo para as coisas, pelo contrário, cuido tanto que elas duram muito nas minhas mãos.

E aquela mulher à minha frente, quem é ela? Mãe de duas filhas, mora longe, bem longe, vida sofrida. Vem em casa lavar banheiros, a cozinha, limpa os vidros, cuida da casa, da louça, deixa tudo tão limpo e organizado. Qual é o seu valor?

Satisfeita, entendi o apreço que papai nos ensinava.

Apreço é você cuidar daquele/daquilo que gosta, é valorizar o que se tem, é apreciar e contemplar enquanto se tem. O resto, ah o resto, é puro apego.

14
jul
10

BONSAI GENTE

Recebi dia desses um email que me chamou a atenção pela beleza e exuberância das cores e também pela trilha sonora, um piano ao fundo dava mais charme às imagens.

Um email de Bonsais, vários bonsais de diferentes espécies de árvores, umas com flores, outras com frutos. Lindas imagens.

O que vem a ser um Bonsai?

Pesquisei no Oráculo dos tempos atuais, o Google, e fui direto na Wikipédia:

“…A planta deve ser uma réplica artística de uma árvore natural, em miniatura…” Lindo não é mesmo? Continuando…

…”Essencialmente é uma obra de arte produzida pelo homem através de cuidados especializados…”

Mas como é cultivado um Bonsai?

Um Bonsai, perdoem-me os adeptos e admiradores, é uma planta/árvore mutilada. Há restrições de suas raízes que são podadas consequentemente seu desenvolvimento natural é impedido. O uso de nutrientes, também restrito de forma a planta não se desenvolver.

Eu não entendo de Bonsai. Entendo um pouco de ser humano, e aí que me pego e me coloco em reflexão, então vou aproveitar a carona do Bonsai:

Será que existem Pessoas Bonsais?

Um tempo atrás fui procurada por uma mulher que dizia estar muito preocupada com o filho de 15 anos, pois este não se responsabilizava com nada, não queria nada com nada, não se interessava por nada, a não ser comer, dormir, jogar vídeo game, ver TV, e ficar no computador.

Levantando a história de vida do jovem, foi verificado que ele recebia tudo o que necessitava ou desejava muitas vezes sem nem ter o tempo de manifestar ou maturar tal necessidade ou desejo. Era-lhe proporcionada uma condição de vida de facilidades e pouco empenho, os pais sempre muito dedicados e atentos, se preocupavam para que nada lhe faltasse.

Chegando ao primeiro atendimento, deparei-me com um lindo rapaz, alto, bronzeado, porte atlético, um tantinho só acima do peso. A fala limitada caia quase de forma infantil. Sentava-se de qualquer jeito, e dizia que não gostava de estudar, de ler, gostava um pouco de Educação Física, mas que se cansava com facilidade, era-lhe chato. Questionado sobre seus sonhos, tinha um remoto sobre ser jogador de Basquetebol, mas para tal era necessário muito empenho e dedicação que ele dizia não ter pique.

Durante o processo de avaliação os pais diziam entre aflitos e assustados que o filho só tinha tamanho, mas era infantil.

Na verdade, o rapaz era mesmo infantilizado, mas não por culpa dele. Ele sequer aprendeu o que é responsabilidade, os pais cortaram suas raízes, não o permitiram buscar seu próprio interesse e  caminho. O pior, o filho nem sabia do que seria capaz, nunca experimentou suas habilidades e capacidades. Era-lhe oferecido tudo de graça, sem esforço, na bandeja. Suas raízes estavam restringidas, podadas, mutiladas.

Os pais, por culpa ou medo, impediam-no a possibilidade de crescer.

Um rapaz gigante, lindo, quase uma escultura de Rodin, mas tão anão feito um Bonsai.

10
jul
10

ANDROPAUSA

O que é chamado de Andropausa são alterações físicas e psicossociais que ocorrem com o homem a partir dos 40 anos de idade. Corresponde a um período da vida do homem em que há diminuição dos níveis de testoterona (hormônio masculino).

Andropausa não é o equivalente à Menopausa.

 Na mulher ocorre a interrupção da menstruação e em conseqüência, sua vida fértil deixa de existir com alterações hormonais que são acompanhadas de uma série de sintomas.

Os principais sintomas da Andropausa são o aparecimento de disfunção sexual (falta de apetite sexual, dificuldade de ereção…), preguiça e fadiga, a memória enfraquece, a massa muscular começa a diminuir, aumento da gordura abdominal, distúrbios do sono, osteoporose, queda dos cabelos, mudança de humor, entre outros.

Reconhecendo o problema:

O importante é ficar atento aos sintomas que aparecem de forma lenta e progressiva, o homem deve então procurar um médico que fará o mapeamento da dose hormonal através de exame de sangue, exame físico, espermograma, desintometria óssea, ecografia da próstata e abdómem.e assim conduzir o melhor procedimento e tratamento.

É entendida por muitos homens como um problema, o que pode acarretar uma série de comprometimentos na área emocional como a depressão, complexos da faixa etária (idade do lobo), comportamento de adolescente, dificuldade e inadequação nos relacionamentos.

Tratamento:

Existem reposições hormonais masculinos que devem ser rigorosamente indicados por profissionais da área médica, porém as mudanças de alguns hábitos como o alimentar, atividades físicas freqüentes, perda de peso contribuem como coadjuvante para uma melhor qualidade de vida.

São muitas as terapêuticas oferecidas, cabe a cada um fazer a sua escolha para encontrar e melhorar o estado de saúde física, mental e sexual.

A Andropausa é mais um amadurecimento do homem do que uma crise. Ela oportuniza ao homem o despertar de sua sabedoria para o entendimento de que esta, como todas as outras, é apenas mais uma fase da vida com suas particularidades que pode ser vivenciada de forma plena e satisfatória.




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