Arquivo de julho \29\UTC 2011

29
jul
11

A primeira

A

 Azul, amarelo, ametista, azálea, amor, amizade, anel, aliança, almanaque, andar, acreditar, anjo, arcanjo…

Andrea, Adriana, Aissa, Ana, Alice, Amélia, Amábile, Anita, Antonia, Abigail, Angelina, Angélica…

 

Arcanjo MARIA CHRISTINA

 

MARIA:

Origem: Do Hebraico.

Significado: Senhora soberana.

Numerologia: 6

CHRISTINA

Origem: Do Grego.

Significado: Forma inglesa de Cristina. Ungido do Senhor.

Numerologia: 2

 

“Ser grande é abraçar uma grande causa”.

                                           (Sheakespeare)

 

Anjos são seres ou criaturas espirituais. São mensageiros dos céus que nos trazem alento e esperança, e nossos guardiões quando nos socorrem oferecendo-nos tranqüilidade e equilíbrio. Os Anjos estão sempre a serviço de Deus.

Já os Arcanjos, também Anjos, são entidades especiais na hierarquia divina, porém não mais importantes que os Anjos.

A diferença entre Anjos e Arcanjos está nos seus atendimentos. Enquanto os Anjos nos socorrem no geral, no universal, os Arcanjos atendem-nos em áreas específicas, mais particulares. 

E aqui começa a nossa história. A história de alguém especial de nome Maria Christina.

E a Christina tem esta força meio misteriosa dos Anjos e Arcanjos. Nasceu tão perto do Natal, quem sabe não veio dos céus?

É a filha mais velha dos Marques de Barros. É a Maria Primeira.

Um Anjo, se a pensarmos como uma ótima ouvinte e conselheira. É a que chora, a que sofre com a dor dos seus, e quando necessário carrega no colo quem dele precisa.

É aquela que tem sempre uma palavra de conforto, e que maquina situações mirabolantes para arrumar a melhor solução para os mais variados problemas.

Um Arcanjo na área familiar. Aí não vê barreiras. Os problemas não são maiores que sua vontade de ajudar e estar com os seus.

É um belo exemplar de Arcanjo e de irmã mais velha.  Sente-se um pouco responsável por tudo o que acontece com a família.

É amiga. É protetora. É fiel. É companheira. É verdadeira. É intensa. É divertida.

Mas há aqueles que não acreditam nem respeitam os Anjos e Arcanjos. Uns loucos, eu diria. Vivem apenas pelo e para o corpo físico. O seu deus se chama cifrão e a matéria a sua religião.

Mas não ter ou perder a estima de um ser divino não é pouco não. Equivale a perder o chão debaixo dos próprios pés. Ou perder a luz diante dos olhos. Que o digam uns e outros por aí…

E Christina, além de arcanjo, é uma mulher que sabe o que quer. Separa muito bem o joio do trigo. Quando equívocos comete, não se acanha em se desculpar. Ela gosta do que é bom, mas não tem problemas com o desapego.

Estudiosa da história da humanidade. Gosta de política e cultura geral, assim como de uma gostosa e gelada cerveja.

Não importando a condição financeira, trabalhou sua vida produtiva. Dobrava períodos lecionando História. Mais por excesso de burocracia e não por tempo de serviço ainda não se aposentou. O que convenhamos, uma vergonha alheia heím Brasil ?!?!

E tal qual uma criatura divina, não desiste jamais.

Tropeça, cai, até se machuca. Mas entregar-se é algo que não lhe cabe, é um modelo que não entra no seu guarda roupas.

De gosto apurado, cultiva as boas amizades tanto dos familiares como de estranhos, freqüenta e gosta de eventos sociais, ao mesmo tempo curte o seu canto que lhe é sagrado.

 Assim como Penélope na mitologia grega que tecia finos bordados enquanto esperava a volta de seu Ulisses, Christina descobre em cada bordado uma criação única, uma possibilidade única, mais resgatando a si mesma ela tece e reconstrói a sua história.

 

 

 

 

25
jul
11

RELACIONAMENTOS

O homem tem medo, medo do desconhecido, na obra Massa e Poder, Elias Canetti diz: “Não há nada que o homem mais tema do que o contato com o desconhecido. Ele quer ver aquilo que o está tocando; quer ser capaz de conhecê-lo ao menos, de classificá-lo. Por toda parte, o homem evita o contato com o que lhe é estranho. À noite ou no escuro, o pavor ante o contato inesperado pode intensifica-se até o pânico. Nem mesmo as roupas proporcionam segurança suficiente – quão facilmente se pode rasgá-las, quão fácil é avançar até a carne nua, lisa, indefesa da vítima. (…) Tal aversão ao contato não nos deixa nem quando caminhamos em meio a outras pessoas. A maneira como nos movemos na rua, em meio aos muitos transeuntes, ou em restaurantes, trens e ônibus, é ditada por esse medo. Mesmo quando nos encontramos bastante próximos das pessoas; mesmo quando podemos observá-las bem e inspecioná-las, ainda assim evitamos, tanto quanto possível, qualquer contato com elas. Se fazemos o contrário, é porque gostamos de alguém, e, nesse caso, a iniciativa da aproximação parte de nós mesmos”.

O grande paradoxo é que o mesmo homem que tem medo do outro, não vive sozinho. Ele precisa do outro, do contato com seu semelhante ou com seu diferente.

Nenhum de nós nasce com habilidades naturais para o relacionamento humano.

As habilidades para relacionar-se são aprendidas, desenvolvidas e aperfeiçoadas primeiro através da família e depois da escola, e mais tarde da sociedade. A maneira como se dá o relacionamento, atinge-se o sucesso ou o fracasso. É imperativo melhorar a forma de relacionar-se tornando a vida mais leve e agradável.

Todo comportamento gera comportamento, portanto o modo de agir diante de uma determinada situação é chamado de escolha. Escolher atitudes simples como um sorriso, um cumprimento, um aceno, uma forma de reconhecer que o outro existe e que lhe é importante podem fazer toda a diferença em se tratando de relacionamento.

Escolhemos a pessoa que desejamos ser. Todos os dias decidimos se continuamos do jeito que somos ou mudamos. A grande glória do educador é, além de ser dono de suas escolhas, é de contribuir com a formação e transformação do outro e da sociedade.

Perguntado sobre como era criar uma obra de arte, Michelangelo respondeu: Dentro da pedra já existe uma obra de arte. Eu apenas tiro o excesso de mármore!

Dentro de cada um já existe uma obra de arte, talvez a mais bela do universo. O grande desafio do educador é ajudar o seu aprendiz a retirar o excesso para completar a sua obra.

19
jul
11

90 ANOS

Cadê as estrelas que espero ansiosa salpiquem às dezenas, centenas, milhares na noite escura sem luar?

Saio a procura das que como bailarinas dançam no palco sem fim do firmamento.

Não vejo uma sequer, quanto mais as 90 que minha imaginação insiste que cintilem a comemorar o aniversário daquele que junto com minha mãe me deu a vida.

90 anos.

90 estrelas encobertas pela névoa úmida da cidade grande, e tão pequena diante da imensidão de ensinamentos sutis.

Não as encontro, mas sei que estão lá a celebrar a vida. E vou cantando baixinho:

O Themis de Barros é o meu papai,

O Themis de Barros é muito querido!

O The de Ba é o me papá,

O The de Ba é mu queri!

 

Faço uma paródia da maneira como segurava na minha mão e acalantava os meus sonhos:

 

A filha do pai é muito bonita,

A filha do pai é muito bonita…

A fia do páá, é mu bú,

A fia o páá é mu bú…

16
jul
11

ULLA

U

 

Urucum, universo, unha de gato, urbano, uno, urano, unidade, umbrela, único, Uberlândia…

Úrsula, Ubaldina, Ula, Ulla…

 

ULLA

Origem: Do hebraico.

Significado: Nome bíblico. A proprietária, a herdeira. A dona de fato por herança.

Numerologia: 7

 

…”Benditos os que sofrem por amigos, os que falam com o olhar.
Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende.
Amigo a gente entende…”                                                 

                                                                       (Machado de Assis)

 

Ulla, mulher ímpar. Fiel representante de seu nome. Detentora de caráter invejável.

Amiga verdadeira. Sem rodeios.

Fala mansa. Olhos bonitos, esverdeados. Olhar expressivo e contemplativo. Sorriso largo inspirando confiança.

Professora aposentada. A suavidade de sua presença é lembrada por alunos de todos os tempos.

Com os colegas dos tempos da ativa ainda mantém bom relacionamento. Minha mãe é uma delas, amizade que ultrapassa os tempos de profissão chegando aos do Colégio Assunção em Piracicaba.

Pois é, estudaram juntas, Carmita (minha mãe), Margô (minha tia, irmã de mamãe) e  Ulla. Amigas inseparáveis, mamãe nos conta.

Ulla, aquela mocinha de 1,50 m de altura se destacava nos esportes. Participava com maestria de campeonatos de basquete ou bola ao cesto como diziam os mais antigos. Nadava como ninguém, causava inveja a muitos por esta habilidade. Nado livre era sua especialidade.

Sua família residia em Americana, interior de São Paulo, enquanto que a de mamãe morava em Brotas, também no interior paulista.

Com a formatura, veio a inevitável separação. Coisa natural entre amigos e colegas de escola.

Mas neste caso, não por muito tempo.

As três amigas se casaram e nas “coincidências” da vida, Ulla e Carmita foram residir numa mesma cidadezinha no coração do estado: Torrinha (minha terra natal) onde tiveram e criaram os filhos, e deram continuidade à amizade nascida nos tempos de colégio.

E foi lá, em Torrinha que elas, Carmita e Ulla lecionaram na escola local, antigo Grupo Escolar, e por ser pequena a cidade, freqüentaram os mesmos lugares e pessoas estreitando mais ainda a amizade que mantém até os dias de hoje.

Não sei a idade da Dona Ulla, mas mamãe está na casa dos 86 anos, logo…

Descendente de dinamarqueses, dona Ulla fazia uma sopa típica que era uma delícia, era um caldo de carne e nele, ela cozinhava uma espécie de bolinho de massa de farinha que nos aquecia do frio torrinhense. Que saudades e que vontade…

Amizade linda, de muitos e muitos anos, nascida e construída com carinho e amor.

Nunca ouvi em minha casa uma rusga sequer a respeito da dona Ulla. Um comentário sequer sobre a dona Ulla e seus familiares. E tenho certeza que a recíproca é verdadeira.

Seu Adelmo, marido da dona Ulla, também sempre muito atencioso e gentil conosco. Os meninos Renato e Luis, que assim como eu, já não são mais meninos, mas que se mantém assim nas minhas boas lembranças.

E quantas são as boas lembranças que se afloram. E que bom que elas vêem.

Na maioria destas lembrançças, a dona Ulla e sua família estão presentes.

Quer nas lembranças da inauguração do clube ou da piscina do clube, dos bailes de carnaval, do carnaval de rua dos mascarados, dos churrascos de final de semana, dos shows beneficentes que as famílias organizavam para angariar fundos a tantos empreendimentos da cidade, e tantos outros eventos.

Dona Ulla nos quer bem na mesma proporção que queremos a ela.

Ela é especial. É protetora e atenciosa, a gente sente isto. Mamãe já não anda para lá e para cá, mas recebe com freqüência a visita da dona Ulla, o que é sempre uma festa.

As duas amigas já velhinhas conversam muito, jogam baralho, trocam impressões sobre vários assuntos, rezam, fazem novenas, fazem tricô. Uma ensina a outra…

É muito bonito assistir a tudo isto. Uma amizade de tantos anos, talvez uns 60 anos no mínimo, se perpetuando e nos ensinando que vale a pena investir no sentimento da amizade.

Ulla, a dona de fato que honra o valor de uma amizade verdadeira.

 Ulla, minha humilde homenagem a você, mulher guerreira, tão pequena e tão grande.

Mamãe já não está entre nós, e hoje você parte.

Deixará saudade, Ulla.

Vá com Deus.

 

 




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