Arquivo para a categoria 'Fio de Ariadne'

22
ago
11

Simplesmente Pi

Sépia, salmão, safira, sambacuim, sempre viva, saudade, sol, samba, salário, sorriso, salgado, sangue, suor, sinônimo, sonho, superior…

Solange, Sandra, Simone, Silvia, Silvana, Sophia…

 Sophia MARIA APARECIDA

Sophia: Do Grego.

Significado: Sabedoria.

Maria:

Origem: Do Hebraico.

Significado: Senhora soberana.

Numerologia: 6

Aparecida:

Origem: Do Latim.

Significado: Surgida, aquela que aparece. A padroeira de uma nação. Uma Santa.

Numerologia: 4

 

“Quando o mundo se altera, a vida tem que se transformar”.

                                                                      (Joseph Campbell)

 

A escolha dos nomes não foi em vão. Decorrem diretamente de seus Significados.

E mais uma Saga de uma mulher…

Nomes grandes, é verdade. Merecem redução:

Simplesmente Pi, por acreditar quando menina que um passarinho assim a chamava:

Pi, Pi, Pi!!!

E por Pi foi chamada, e por Pi ficou conhecida.

Pi, mas sem perder um milímetro sequer das linhas Sinuosas do S de Sophia, de Santa, de Sabor pela vida

Tantas são as idas e vindas… Cada curva Serpenteando-lhe a vida, é mais Surpresa do que Susto.

No Sofrimento, o Silêncio é Segredo para tamanha Saúde mental, emocional e espiritual.

Sutil e Sofisticada elegância, desperta olhares admirados.

Sorriso largo, iluminado, indefectível e Sincero, mais parece a Sonoridade de uma Sinfônica.

Enfeita a vida com Sutaches e fitas disfarçando assim a Sordidez dos malvados.

Não chora, não lamenta… Busca com Sustância e Suavidade as Soluções para a Sobrevivência.

Serena, Sensata. Sacode a poeira e cai logo no Samba que lhe é imposto.

Submeter-se? Jamais!!

No entendimento pessoal Sem ais nem uis, a Sobriedade em Sintaxe é o que predomina.

Senhora de Si, Segue Sinuosos e estreitos caminhos sem questionar.

Saliências encontradas, não pensa em má Sorte. Enxerga somente Substâncias que favoreçam o fortalecimento.  

Semblante Suave, olhar Sapeca. O profano transforma em Sagrado.

Soberana. Encontra Solvente para qualquer tipo de Situação.

Incansável e Solidária. Tem Sempre os braços abertos para aqueles que dela precisam.

O nome verdadeiro não é Sophia. É mais Maria que Sophia.

Tão Sophia quanto Maria.

Maria Aparecida, Simplesmente Pi, dona da mais pura Sabedoria.

 

 

 

29
jul
11

A primeira

A

 Azul, amarelo, ametista, azálea, amor, amizade, anel, aliança, almanaque, andar, acreditar, anjo, arcanjo…

Andrea, Adriana, Aissa, Ana, Alice, Amélia, Amábile, Anita, Antonia, Abigail, Angelina, Angélica…

 

Arcanjo MARIA CHRISTINA

 

MARIA:

Origem: Do Hebraico.

Significado: Senhora soberana.

Numerologia: 6

CHRISTINA

Origem: Do Grego.

Significado: Forma inglesa de Cristina. Ungido do Senhor.

Numerologia: 2

 

“Ser grande é abraçar uma grande causa”.

                                           (Sheakespeare)

 

Anjos são seres ou criaturas espirituais. São mensageiros dos céus que nos trazem alento e esperança, e nossos guardiões quando nos socorrem oferecendo-nos tranqüilidade e equilíbrio. Os Anjos estão sempre a serviço de Deus.

Já os Arcanjos, também Anjos, são entidades especiais na hierarquia divina, porém não mais importantes que os Anjos.

A diferença entre Anjos e Arcanjos está nos seus atendimentos. Enquanto os Anjos nos socorrem no geral, no universal, os Arcanjos atendem-nos em áreas específicas, mais particulares. 

E aqui começa a nossa história. A história de alguém especial de nome Maria Christina.

E a Christina tem esta força meio misteriosa dos Anjos e Arcanjos. Nasceu tão perto do Natal, quem sabe não veio dos céus?

É a filha mais velha dos Marques de Barros. É a Maria Primeira.

Um Anjo, se a pensarmos como uma ótima ouvinte e conselheira. É a que chora, a que sofre com a dor dos seus, e quando necessário carrega no colo quem dele precisa.

É aquela que tem sempre uma palavra de conforto, e que maquina situações mirabolantes para arrumar a melhor solução para os mais variados problemas.

Um Arcanjo na área familiar. Aí não vê barreiras. Os problemas não são maiores que sua vontade de ajudar e estar com os seus.

É um belo exemplar de Arcanjo e de irmã mais velha.  Sente-se um pouco responsável por tudo o que acontece com a família.

É amiga. É protetora. É fiel. É companheira. É verdadeira. É intensa. É divertida.

Mas há aqueles que não acreditam nem respeitam os Anjos e Arcanjos. Uns loucos, eu diria. Vivem apenas pelo e para o corpo físico. O seu deus se chama cifrão e a matéria a sua religião.

Mas não ter ou perder a estima de um ser divino não é pouco não. Equivale a perder o chão debaixo dos próprios pés. Ou perder a luz diante dos olhos. Que o digam uns e outros por aí…

E Christina, além de arcanjo, é uma mulher que sabe o que quer. Separa muito bem o joio do trigo. Quando equívocos comete, não se acanha em se desculpar. Ela gosta do que é bom, mas não tem problemas com o desapego.

Estudiosa da história da humanidade. Gosta de política e cultura geral, assim como de uma gostosa e gelada cerveja.

Não importando a condição financeira, trabalhou sua vida produtiva. Dobrava períodos lecionando História. Mais por excesso de burocracia e não por tempo de serviço ainda não se aposentou. O que convenhamos, uma vergonha alheia heím Brasil ?!?!

E tal qual uma criatura divina, não desiste jamais.

Tropeça, cai, até se machuca. Mas entregar-se é algo que não lhe cabe, é um modelo que não entra no seu guarda roupas.

De gosto apurado, cultiva as boas amizades tanto dos familiares como de estranhos, freqüenta e gosta de eventos sociais, ao mesmo tempo curte o seu canto que lhe é sagrado.

 Assim como Penélope na mitologia grega que tecia finos bordados enquanto esperava a volta de seu Ulisses, Christina descobre em cada bordado uma criação única, uma possibilidade única, mais resgatando a si mesma ela tece e reconstrói a sua história.

 

 

 

 

25
jul
11

RELACIONAMENTOS

O homem tem medo, medo do desconhecido, na obra Massa e Poder, Elias Canetti diz: “Não há nada que o homem mais tema do que o contato com o desconhecido. Ele quer ver aquilo que o está tocando; quer ser capaz de conhecê-lo ao menos, de classificá-lo. Por toda parte, o homem evita o contato com o que lhe é estranho. À noite ou no escuro, o pavor ante o contato inesperado pode intensifica-se até o pânico. Nem mesmo as roupas proporcionam segurança suficiente – quão facilmente se pode rasgá-las, quão fácil é avançar até a carne nua, lisa, indefesa da vítima. (…) Tal aversão ao contato não nos deixa nem quando caminhamos em meio a outras pessoas. A maneira como nos movemos na rua, em meio aos muitos transeuntes, ou em restaurantes, trens e ônibus, é ditada por esse medo. Mesmo quando nos encontramos bastante próximos das pessoas; mesmo quando podemos observá-las bem e inspecioná-las, ainda assim evitamos, tanto quanto possível, qualquer contato com elas. Se fazemos o contrário, é porque gostamos de alguém, e, nesse caso, a iniciativa da aproximação parte de nós mesmos”.

O grande paradoxo é que o mesmo homem que tem medo do outro, não vive sozinho. Ele precisa do outro, do contato com seu semelhante ou com seu diferente.

Nenhum de nós nasce com habilidades naturais para o relacionamento humano.

As habilidades para relacionar-se são aprendidas, desenvolvidas e aperfeiçoadas primeiro através da família e depois da escola, e mais tarde da sociedade. A maneira como se dá o relacionamento, atinge-se o sucesso ou o fracasso. É imperativo melhorar a forma de relacionar-se tornando a vida mais leve e agradável.

Todo comportamento gera comportamento, portanto o modo de agir diante de uma determinada situação é chamado de escolha. Escolher atitudes simples como um sorriso, um cumprimento, um aceno, uma forma de reconhecer que o outro existe e que lhe é importante podem fazer toda a diferença em se tratando de relacionamento.

Escolhemos a pessoa que desejamos ser. Todos os dias decidimos se continuamos do jeito que somos ou mudamos. A grande glória do educador é, além de ser dono de suas escolhas, é de contribuir com a formação e transformação do outro e da sociedade.

Perguntado sobre como era criar uma obra de arte, Michelangelo respondeu: Dentro da pedra já existe uma obra de arte. Eu apenas tiro o excesso de mármore!

Dentro de cada um já existe uma obra de arte, talvez a mais bela do universo. O grande desafio do educador é ajudar o seu aprendiz a retirar o excesso para completar a sua obra.

19
jul
11

90 ANOS

Cadê as estrelas que espero ansiosa salpiquem às dezenas, centenas, milhares na noite escura sem luar?

Saio a procura das que como bailarinas dançam no palco sem fim do firmamento.

Não vejo uma sequer, quanto mais as 90 que minha imaginação insiste que cintilem a comemorar o aniversário daquele que junto com minha mãe me deu a vida.

90 anos.

90 estrelas encobertas pela névoa úmida da cidade grande, e tão pequena diante da imensidão de ensinamentos sutis.

Não as encontro, mas sei que estão lá a celebrar a vida. E vou cantando baixinho:

O Themis de Barros é o meu papai,

O Themis de Barros é muito querido!

O The de Ba é o me papá,

O The de Ba é mu queri!

 

Faço uma paródia da maneira como segurava na minha mão e acalantava os meus sonhos:

 

A filha do pai é muito bonita,

A filha do pai é muito bonita…

A fia do páá, é mu bú,

A fia o páá é mu bú…

16
jul
11

ULLA

U

 

Urucum, universo, unha de gato, urbano, uno, urano, unidade, umbrela, único, Uberlândia…

Úrsula, Ubaldina, Ula, Ulla…

 

ULLA

Origem: Do hebraico.

Significado: Nome bíblico. A proprietária, a herdeira. A dona de fato por herança.

Numerologia: 7

 

…”Benditos os que sofrem por amigos, os que falam com o olhar.
Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende.
Amigo a gente entende…”                                                 

                                                                       (Machado de Assis)

 

Ulla, mulher ímpar. Fiel representante de seu nome. Detentora de caráter invejável.

Amiga verdadeira. Sem rodeios.

Fala mansa. Olhos bonitos, esverdeados. Olhar expressivo e contemplativo. Sorriso largo inspirando confiança.

Professora aposentada. A suavidade de sua presença é lembrada por alunos de todos os tempos.

Com os colegas dos tempos da ativa ainda mantém bom relacionamento. Minha mãe é uma delas, amizade que ultrapassa os tempos de profissão chegando aos do Colégio Assunção em Piracicaba.

Pois é, estudaram juntas, Carmita (minha mãe), Margô (minha tia, irmã de mamãe) e  Ulla. Amigas inseparáveis, mamãe nos conta.

Ulla, aquela mocinha de 1,50 m de altura se destacava nos esportes. Participava com maestria de campeonatos de basquete ou bola ao cesto como diziam os mais antigos. Nadava como ninguém, causava inveja a muitos por esta habilidade. Nado livre era sua especialidade.

Sua família residia em Americana, interior de São Paulo, enquanto que a de mamãe morava em Brotas, também no interior paulista.

Com a formatura, veio a inevitável separação. Coisa natural entre amigos e colegas de escola.

Mas neste caso, não por muito tempo.

As três amigas se casaram e nas “coincidências” da vida, Ulla e Carmita foram residir numa mesma cidadezinha no coração do estado: Torrinha (minha terra natal) onde tiveram e criaram os filhos, e deram continuidade à amizade nascida nos tempos de colégio.

E foi lá, em Torrinha que elas, Carmita e Ulla lecionaram na escola local, antigo Grupo Escolar, e por ser pequena a cidade, freqüentaram os mesmos lugares e pessoas estreitando mais ainda a amizade que mantém até os dias de hoje.

Não sei a idade da Dona Ulla, mas mamãe está na casa dos 86 anos, logo…

Descendente de dinamarqueses, dona Ulla fazia uma sopa típica que era uma delícia, era um caldo de carne e nele, ela cozinhava uma espécie de bolinho de massa de farinha que nos aquecia do frio torrinhense. Que saudades e que vontade…

Amizade linda, de muitos e muitos anos, nascida e construída com carinho e amor.

Nunca ouvi em minha casa uma rusga sequer a respeito da dona Ulla. Um comentário sequer sobre a dona Ulla e seus familiares. E tenho certeza que a recíproca é verdadeira.

Seu Adelmo, marido da dona Ulla, também sempre muito atencioso e gentil conosco. Os meninos Renato e Luis, que assim como eu, já não são mais meninos, mas que se mantém assim nas minhas boas lembranças.

E quantas são as boas lembranças que se afloram. E que bom que elas vêem.

Na maioria destas lembrançças, a dona Ulla e sua família estão presentes.

Quer nas lembranças da inauguração do clube ou da piscina do clube, dos bailes de carnaval, do carnaval de rua dos mascarados, dos churrascos de final de semana, dos shows beneficentes que as famílias organizavam para angariar fundos a tantos empreendimentos da cidade, e tantos outros eventos.

Dona Ulla nos quer bem na mesma proporção que queremos a ela.

Ela é especial. É protetora e atenciosa, a gente sente isto. Mamãe já não anda para lá e para cá, mas recebe com freqüência a visita da dona Ulla, o que é sempre uma festa.

As duas amigas já velhinhas conversam muito, jogam baralho, trocam impressões sobre vários assuntos, rezam, fazem novenas, fazem tricô. Uma ensina a outra…

É muito bonito assistir a tudo isto. Uma amizade de tantos anos, talvez uns 60 anos no mínimo, se perpetuando e nos ensinando que vale a pena investir no sentimento da amizade.

Ulla, a dona de fato que honra o valor de uma amizade verdadeira.

 Ulla, minha humilde homenagem a você, mulher guerreira, tão pequena e tão grande.

Mamãe já não está entre nós, e hoje você parte.

Deixará saudade, Ulla.

Vá com Deus.

 

 

26
ago
10

Dona Morte Mais uma Vez Bate à Porta

Dona morte é uma dona interessante.

Camufla-se, disfarça o seu objetivo e, traiçoeira engana o seu objeto.

Chega em silêncio, e seu efeito é escandalosamente anunciado na explosão de sentimentos e lamentos, e sobram apenas caquinhos espalhados ao vento.

São caquinhos de saudade, de amor, de tristeza, de medo, de recordações, de indignação, de injúrias, de desespero, de não entendimento, de não aceitação…

Muitos são os caquinhos. Espalhados estão.  Disformes e sem sentido.

Onde encontrar força e disposição para juntar tudo e começar a grande jornada para a reorganização e colagem dos caquinhos?

Não sei.

Lágrimas, já não as tenho.

Tenho saudades é certo, apenas saudades.

Saudades daquela que fui. Saudades daquela que já não sou. Saudades daquela que posso ser.

E como ser sem aquela que a dona morte me tirou?

Ela, a morte, é inevitável e natural, todos a temem e a repelem por ser acreditada como cruel.

Por favor, reconheça dona morte ao menos uma vez o poder daquela que acabou de me tirar.

Foi-me tirado algo precioso, não tenho como negar. Respeito-a, dona morte.

Respeito-a mais por ter chegado agora e não antes.

Respeito-a dona morte, por ter respeitado o tempo suficiente para que a lição de juntar os caquinhos me fosse ensinada.

13
ago
10

SÍSIFO

“Mestre da malícia e dos truques, Sísifo entrou para a tradição como um dos maiores ofensores dos deuses. E com tais características ludibriava a todos e se safava das enrascadas em que se metia.
Certa vez, uma grande águia sobrevoou a cidade, levando nas garras uma bela jovem. Sísifo reconheceu a jovem filha de Asopo (deus-rio), e viu a águia como sendo uma das metamorfoses de Zeus. Mais tarde, o velho Asopo veio perguntar-lhe se sabia do rapto de sua filha e qual seria seu destino. Sísifo logo fez um acordo: em troca de uma fonte de água para a cidade ele contaria o paradeiro da jovem. O acordo foi selado despertando assim a raiva do grande Zeus, que enviou o deus da Morte, Tânatos, para levá-lo ao mundo subterrâneo.  O esperto Sísifo conseguiu enganar o enviado de Zeus. Elogiou sua beleza e pediu-lhe para deixá-lo enfeitar seu pescoço com um colar. O colar, na verdade, não passava de uma coleira, com a qual Sísifo manteve a Morte aprisionada e conseguiu driblar seu destino.

Em função disso, durante um tempo não morreu mais ninguém. Sísifo soube enganar a Morte, mas arrumou nova encrenca agora com Hades, o deus dos mortos, e com Ares, o deus da guerra, que precisava dos préstimos da Morte para consumar as batalhas.

Tão logo teve conhecimento, Hades libertou Tânatos e ordenou-lhe que troxesse Sísifo imediatamente para as mansões da morte. Quando Sísifo se despediu de sua mulher, teve o cuidado de pedir secretamente que ela não enterrasse seu corpo.

Já no inferno, Sísifo reclamou com Hades da falta de respeito de sua esposa em não enterrá-lo. Então suplicou por mais um dia de prazo para se vingar da mulher ingrata e cumprir os rituais fúnebres. Hades lhe concedeu o pedido. Sísifo então retomou seu corpo e fugiu com a esposa. Havia enganado a Morte pela segunda vez…

Como castigo, Zeus condenou Sísifo a rolar por toda a eternidade uma grande pedra com suas mãos até o cume de uma montanha, sendo que toda vez que ele estava quase alcançando o topo, a pedra rolava novamente montanha abaixo até o ponto de partida por meio de uma força irresistível…”

São muitas as histórias conferidas a Sísifo na mitologia grega. Relatos que fazem pensar sobre a força energética de Sísifo que existe dentro de cada um, e é acionada quando faz-se repetidamente as mesmas funções “carregando desnecessariamente a enorme pedra montanha acima” num trabalho mecânico, que não exige maiores planejamentos e estratégias.

Não se dá conta do peso da pedra, da inutilidade da tarefa, e o pior, muitas vezes a condenação parte da própria pessoa, numa espécie de tributo a Sísifo.

Uma condenação velada, possivelmente carregada de culpa pela utilização inadequada da esperteza e malícia na busca de tirar alguma vantagem em determinada situação.

Melhor verificar quais são as pedras carregadas, se são necessárias,  porque são carregadas. Melhor ainda quando se consegue perceber e ficar apenas com as pedras que não pesam, aquelas que simplesmente acrescentam algo novo, motivador e desafiador na história do ser.

01
ago
10

REECONTROS

A vida é construída de encontros e desencontros.

Situações que geram esperas cantadas em verso e prosa. Músicas são compostas dentro deste viés. Choros de alegria e de tristeza.

Marcas pessoais são registradas e cravadas a cada encontro.

Saudade ou alívio a cada desencontro.

Já o reencontro… Que coisa!

Que grandiosidade quando buscamos o reencontro com alguém que deixamos e nos deixou marcas positivas.

Hoje é um dia singular para mim.

Experimentei a sensação do reencontro, e percebi as incontáveis marcas deixadas.

O tempo pode ser implacável com o físico, mas as marcas deixadas na alma são profundas e intocáveis quando sinceras.

Melhor exemplo disso é a amizade.

Não há distância geográfica, não há tempo passado que dê cabo das marcas de uma amizade.

E o reencontro acontece de forma tão natural, sem rodeios. Merece comemoração e bebemoração, nada como uma xícara de café com uma fatia de bolo, ou um copo de cerveja com espetinho brindando a alegria e descontração da amizade.

 Despreza-se o tempo, parece que foi ontem o último encontro. As histórias vividas são contadas e apreciadas, o papo é posto em dia e só isso basta.

Novas marcas são cravadas com a esperança de novos reencontros.

01
ago
10

PAIS

Dia dos pais chegando, propagandas pipocando na mídia, o comércio voltado para a data…

Existem pais que se esforçam e muito em serem referência/modelo para os filhos. Enfrentam batalhas diárias para proporcionar qualidade de vida e conforto, e estão sempre presentes no cotidiano de seus filhos.

São os que assumem integralmente a paternidade. Enfrentam o mundo para viver o seu papel de pai.

Rompem com conceitos e preconceitos aprendidos desde sua infância e passam a ensinar com responsabilidade algo melhor aos filhos.

Sem serem piegas ou comodistas quanto ao desenvolvimento dos filhos, eles são os pais amigos. São os que atentos, não passam a mão na cabeça dos filhos apenas para evitarem trabalho ou por se considerarem acima do bem ou do mal. Assumem o trabalho de ser pai.

Muitos são pais modernos, descolados. Seus ensinamentos independem de suas presenças físicas, de suas condições perante a mãe de seu filho. São pais que sabem dizer e sustentar os sim e não. São os que sabem viver e dosar os direitos e os deveres e ensina-os aos filhotes.

São os que, assim como as mães, amam seus filhos incondicionalmente. Acolhem e recolhem suas crias num abraço apertado, num olhar de cumplicidade…

Esses são os verdadeiros pais, e são eles os merecedores das honrarias e homenagens todos os dias de suas vidas, não só na data específica ditada por um calendário.

Que sejam muitos os pais abençoados e amados por seus filhos. E que o número deles seja crescente e multiplique progressivamente.

Seus filhos aprenderão a lição, e quando já adultos serão certamente pais e mães melhores, reproduzindo e aperfeiçoando tudo aquilo que lhes for ensinado.

28
jul
10

FÁBULAS E O DINHEIRO EMOCIONAL

Algumas pessoas quando não conseguem o que querem, desejam ou necessitam, culpam logo terceiros ou circunstâncias por suas frustrações. São pessoas que se sentem incapazes de realizar algo.

E para a preservação de sua auto-estima, disfarçam muitas vezes de forma inconsciente os verdadeiros motivos de sua inabilidade em buscar recursos e capacidades pessoais para resolver problemas imediatos. Essa pessoa tende a ajustar suas necessidades narcisistas utilizando-se do raciocínio lógico para justificar ou explicar suas falhas e limitações. Tudo passa a ser justificado, nada resolvido.

Passamos então à Fábula que ilustra o nosso propósito:

 “Uma raposa solitária há muito sem comer e magra de fome, depois de muito perambular chegou a uma grande plantação de uvas. As parreiras estavam cobertas de frutos, com muitos cachos cheios e maduros, prontos para o consumo.

Como não havia ninguém à vista, a raposa entrou sorrateiramente no parreiral, mas logo descobriu que as uvas estavam muito altas, os galhos se enroscavam num alto caramanchão, fora do seu alcance.

Ela pulou, errou, tornou a pular; mas todos os seus esforços foram inúteis. Cansada, a raposa começou a sentir dores pelo corpo, e finalmente, frustrada e zangada depois de um último pulo, exclamou desdenhosa:

 - Ora, eu não quero mesmo. Estas uvas estão verdes!”

“A RAPOSA E AS UVAS” é mais uma fábula atribuída a Esopo e que foi reescrita por La Fontaine. Há muitas variações na narrativa, mas sua essência é sempre a mesma, e é o que nos interessa:

. É fácil desprezar aquilo que não se pode obter;

. Aquele que se sente incapaz de atingir uma meta tende a depreciá-la para diminuir o peso de seu insucesso.

Pois bem, a raposa tinha um problema que era o de alcançar as uvas e usou apenas o recurso de pular, sequer procurou uma escada, um banquinho ou uma caixa para subir, ou mesmo uma vara para alcançar o seu objetivo, preferiu negar o seu desejo. Foi embora frustrada e continuou esfomeada.

Assim acontece com muitas pessoas, que não se ajustam ao novo, não buscam possibilidades, não criam ou não reconhecem os recursos internos e externos para a solução dos problemas da sua vida. Preferem negar os seus desejos, as suas necessidades, os seus sonhos. Assim como a raposa, caminham pela vida frustradas e esfomeadas.




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